Quais as uvas da região de Chianti?

No meu último post falei sobre o passeio pela região de Chianti – mais especificamente por Greve in Chianti. Hoje vou falar um pouco das principais uvas produzidas lá.

Temos várias uvas na região, mas vou me ater às três principais (Sangiovese, Merlot e Cabernet Sauvignon), pois são as que compõem o vinho que leva o nome do local… o Chianti Clássico.

Bem, pra não dizer que não falei de flores, vou citar algumas outras uvas produzidas por lá: Petit Verdot, Canaiolo, Pollera Nera, Malvasia…

Mas vamos ao que interessa, não é mesmo?! Primeiro a rainha do pop italiano…

Sangiovese – é a uva mais popular da Itália. É a tinta mais plantada no país. Existem algumas experiências fora da bota (principalmente Argentina, Austrália, Brasil e EUA), mas não tão bem sucedidas quanto lá. Na região da Toscana ela se divide em outras duas classes: Sangiovese Piccolo e Sangiovese Grosso (Brunello e Prugnolo Gentile são dois exemplos dessa última e dão origem aos vinhos de Montalcino e Montepulciano respectivamente).

Os varietais dessa uva são fortes, estruturados, encorpados, ácidos e tânicos. Ela se deu muito bem nos cortes que utilizam Merlot e Cabernet Sauvignon. Eu, particularmente, prefiro os vinhos 100% Sangiovese, mas os Chiantis – como o nome sugere – são Clássicos. Ela é o “carro-chefe” dos Rosso e Brunello di Montalcino, Vino Nobile de Montepulciano, Chianti Clássico e Super Toscanos

As características dessa uva são interessantíssimas, pois ela gera alguns dos melhores vinhos de guarda do mundo. Eu acredito que ela expressa bem o seu terroir. É incrível como podemos notar a diferença entre os Chianti, os Vino Nobile de Montepulciano e os Brunello di Montalcino. É uma uva de casca fina (relativamente), que amadurece bem lentamente e que não curte muita umidade. Na verdade climas quentes e secos fazem bem ao fruto.

Resta dizer que essa uva é plantada em toda Itália, mas o nome muda de local para local, pois existem vários clones (variedades) da mesma espécie. Isso para se adaptar melhor ao clima, ao solo etc. Aqui estão alguns nomes como essa uva é conhecida ao longo da Itália: Sangiovese Grosso, Brunello, Uva brunella, Morellino, Prugnolo, Prugnolo Gentile, Sangioveto, Tignolo e Uva Canina.

Agora a rainha do pop mundial…

Cabernet Sauvignon – de origem francesa, é a uva mais difundida mundo afora, tanto em plantação quanto em consumo. Isso é fácil explicar… a planta se adapta facilmente aos diversos tipos de clima, resiste aos intempéries (pragas, mau tempo etc), é fácil corrigir pequenas imperfeições ao (ab)usar (d)a madeira, e é muito gastronômica. Assim fica fácil, não?

Não é bem assim. Essas características se devem principalmente ao fato do cruzamento que deu origem a essa uva: entre a Cabernet Franc e a Sauvignon Blanc. O amadurecimento da fruta é lento e tardio, o que faz com que a uva capture todas as características da estação.

Seus vinhos, quando tudo ocorre perfeitamente (maturação, clima, preparo, cuidado com a planta etc), são muito estruturados, bem tânicos e com acidez e teor alcoólico bem equilibradinhos. Seu vinho aguenta longos períodos em barrica e podem ser excelentes vinhos de guarda.

Ao redor do planeta ela é usada em diversos cortes (o bordalês é um exemplo) isso pois, tanto a planta quanto a fruta são extremamente resistentes e versáteis. O que é muito bacana! Nos ajuda a poder diferenciar o terroir de um ou outro local.

Por exemplo: podemos diferenciar facilmente um varietal brasileiro, chileno, argentino, americano e australiano. Pode-se até não saber de onde vem exatamente, mas ao beber é fácil notar que existe diferença no terroir. Experimente! Depois nos conte.

e por último, mas não menos importante, a rainha do pop nacional…

Merlot – também de origem francesa. Sua fama se dá principalmente por conta dos vinhos de Bordeaux. Fruta de pela fina, cor preto azulado, concentra bastante açúcar, é menos tânica e de maturação mais precoce que as anteriores. Uma uva que continua sendo muito utilizada em cortes, mas produz excelentes varietais (vale provar os chilenos e argentinos e compará-los com os brasileiros, pois a diferença de corpo entre uns e outro é absurda).

A Serra Gaúcha a tem como a “menina dos olhos”, pois muitos a consideram a uva tinta mais bem sucedida naquele quinhão de terra. Pode ser por conta do tipo do solo, por conta do clima, por tudo isso junto, mas o que importa é que muitos dizem que esta é a uva símbolo da enologia brasileira (eu discordo veementemente, mas… bola pra frente).

Uma das características dessa uva é o fato de os taninos serem mais macios. Isso auxilia a equilibrar vinhos muito tânicos (como Sangiovese e Cabernet). Por isso ela se tornou uma espécie de coringa e é muito mais vista em blends do que em varietais.

Seus varietais são, em geral, aveludados, com acidez controlada, bom corpo e pouco tânicos. Muitos preferem descrevê-los como delicados. Eu prefiro chamá-los de equilibrados ao extremo. Quando bem feitos são muito, mas muito mesmo, fáceis de tomar. Não arranham, não “machucam” o paladar, são frutados (lembrando frutas negras) e quando com passagem em barrica apresentam chocolate ou café. Mas, devido às características da uva, não são vinhos de guarda (podem existir alguns, mas em geral merecem ser bebidos jovens).

E aí? Curtiu?! Continue acompanhando a saga. Semana que vem falo um pouco mais sobre o vinho Chianti Clássico.

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Um passeio por Greve in Chianti

Pertinho de Florença (30 Km) e de Siena (50 Km), de fácil acesso, local histórico para amantes de um bom vinho e com muitos outros atrativos gastronômicos, Greve in Chianti é um excelente destino.

Sede de muitas vinícolas (dentre elas a Fattoria Viticcio e Castello di Verrazzano), de um Museu do Vinho (www.museovino.it) e de uma macelleria que ficará guardada em minha memória por anos… a Antica Macelleria Falorni.

Macelleria é um açougue, mas não como no Brasil onde se vai para comprar meio-quilo de bife. É também para isso, mas acima de tudo é um local onde se fabricam embutidos e os da Falorni são espetaculares.

Mas a ideia deste post é falar um pouco sobre a região de Chianti (que dá origem ao renomado e famoso vinho Chianti Clássico e de nascimento dos famosíssimos Super Toscanos) e não dos locais visitados. A paisagem é a típica da Toscana. Nada plana. Morros e mais morros e o local é excelente para diversas uvas (dentre elas Sangiovese, Merlot, Cabernet Sauvignon etc).

A região obteve a classificação DOC (Denominação de Origem Controlada) em 1960, em 1984 veio a DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), a maior classificação italiana, e de lá pra cá sofreu algumas mudanças nas regras para a produção do vinho (como a introdução de variedades francesas e a proibição do plantio de uvas brancas na região), mas o mais interessante – ao menos para mim – é saber que a região de Chianti foi a primeira região de vinhos a ser demarcada no mundo todo. Tem como não ir conhecer?

Lá o corte da sangiovese com uvas “internacionais” rende um vinho bastante complexo e bem diferente do sangiovese “in pureza“, para nós o equivalente a varietal. Para muitos o Chianti Clássico exprime o verdadeiro terroir da Toscana. Tenho dúvidas quanto a isso, mas toco o barco.

Antes de viajar li bastante sobre o local. No site Bon Vivant (www.bonvivant.com.br/2015/12/09/o-puro-terroir-da-toscana) encontrei a melhor definição do terroir da região, pois foi dada por um especialista de lá.

Transcrevo-a agora: “O solo é formado por interrupções de rochas antigas. Isso dá complexidade e persistência ao vinho. O clima especial, quente e ventoso no verão, sinônimo de calor e intensidade, interrompido por pouca chuva, sinônimo de elegância e acidez, o que garante a longevidade. Durante muitos anos a Toscana produziu vinhos com coloração intensa, encorpados e opulentos, no estilo Bordeaux. Hoje, finalmente, se percebeu que deve-se respeitar o que o terroir oferece de melhor, que são os aromas frutados e de flores, o corpo elegante e completo, e principalmente o sabor e a persistência, características que são encontradas nas uvas sangiovese de qualidade.”

Bem… isso tudo é a teoria. E a minha experiência?

Pois bem, o inverno de 2015/2016 não está muito rigoroso. Sem neve e com poucas geadas. Os produtores torcem para que esse cenário mude até o fim do inverno. Região com umidade não muito elevada e, segundo informações, pouca chuva (na verdade o essencial para produzir bons vinhos). Região bastante ensolarada, com poucos ventos e recheada de castelos e residências seculares.

A locomoção é complicada e não recomendo fazer o que eu fiz (utilizar ônibus) se quiser visitar mais de uma vinícola. A melhor solução é alugar um carro, ficar hospedado na cidade e fazer um tour de dois ou três dias pelas vinícolas da região.

Se a ideia for conhecer uma ou duas (como eu fiz), num bate-volta de Florença, o ônibus  é perfeito. Se a intenção é conhecer a Vinícola Antinori (que fica próxima) o ônibus também é perfeito. Tive relatos de locais de que o deslocamento até lá é tão simples como para Greve in Chianti. Não pude visitar, pois estava fechada para férias coletivas entre 20/12 e 07/01.

Enfim… recomendo a visita e, caso haja interesse, repasso as informações sobre ônibus e meios de locomoção em respostas aos comentários. Ok?

Continuem nos seguindo, pois semana que vem falarei sobre as uvas plantadas na região.

Vin Santo ou Il Santo?

Como expliquei dias atrás, caí numa pegadinha na Itália. Comprei gato por lebre etc etc etc. Bem, pra ficar mais claro, vou rapidamente discorrer sobre a diferença entre o Vin Santo e o Il Santo. Não vou me preocupar sobre a origem do vinho ou do nome e coisas mais banais coimo essas, pois ninguém tem certeza de nada nesse ramo. Vou simplesmente falar sobre os vinhos, ok?

Vin Santo – vinho doce de sobremesa?

Para alguns ele pode ser considerado um vinho licoroso por conta da textura e aspecto, mas para os italianos e no mundo do vinho não, e o motivo é simples. Vinho licoroso é, em suma, um vinho fortificado (adição de álcool). Vinho doce é “natural”, por assim dizer. Essa é a grande diferença entre eles.

O Vin Santo tem modo peculiar de produção, em geral uma alta concentração de açúcar proveniente da própria fruta e teor alcoólico, que gira em torno dos 14% a 17%, também obtido unicamente no processo de vinificação. Mas ele pode ter variações. Pode ser meio-doce ou seco. Ou seja, pode ter menor concentração de açúcar e isso depende exclusivamente do tempo de descanso da bebida.

Depois disso o processo de vinificação é normal. São prensadas, o mosto vai para barricas pequenas (como as da foto acima) e lá ficam de dois a seis anos curtindo e aprimorando aromas e sabores.

O bacana desse vinho é que as versões com mais açúcar (doce e meio-doce) são de sobremesa. Já a versão com menos açúcar é servida como aperitivo. Um vinho versátil, não?! Vale (vale mesmo! vale muito!) a pena degustar as versões de sobremesa harmonizando com queijo pecorino.

No paladar prevalecem duas coisas: mel e amêndoas. O retrogosto pode persistir (acreditem) muitos minutos. Provei um que durou cerca de 10. Foi meu último vinho degustado e, ao pagar a conta do local e fazer as últimas fotos, ainda persistia o delicioso sabor de amêndoas tostadas.

Il Santo – o fortificado

Bem, se o anterior tem uma forma peculiar de produção, esse não fica para traz. A fortificação não é exclusividade desse tipo de vinho. Xerez ou Jerez, Vinho do Porto e Madeira utilizam o mesmo processo.

O processo de fortificação consiste basicamente em adicionar uma bebida destilada durante o processo de vinificação com dois intuitos: 1- aumentar o teor alcoólico; e 2- interromper a fermentação e impedir que o restante do açúcar se transforme em álcool (assim a bebida fica doce).

Isso não é um crime, tampouco desvaloriza a bebida. O problema, segundo muitos com quem conversei, é o fato de adicionarem também o açúcar. Isso mascara muita coisa, muita imperfeição. Mas por qual motivo?

Bem, ao contrário do vinho anterior, nesse caso as uvas são colhidas no estágio normal de maturação. Pode ocorrer pouca concentração de açúcar, para os níveis desejados ao se produzir esse tipo de vinho, e isto pode se tornar um problema. Para “solucionar” isso adicionam açúcar e isso gera um novo problema.

O Il Santo é um vinho mais barato que o Vin Santo, menos complexo e utiliza outras várias cepas (Catarratto, Inzolia, Grillo, Malvasia, Trebbiano etc). Prevalece o sabor de mel e amêndoas, assim como o outro, mas o retrogosto é decepcionante. Muito curto.

Enfim, vale a experiência. Provar os dois tipos e ver qual vai melhor. Eu não tenho dúvidas de que o primeiro é melhor que o segundo. Mas, por outro lado, tudo depende do paladar. Se o outro te agradar mais… manda brasa! Isso não significa que o segundo é melhor (não mesmo!) apenas que se adaptou melhor ao seu paladar e isso é perfeitamente possível e compreensível. Afinal… o que seria do vermelho se todos gostassem do azul?

 

Florença e a verdadeira Bistecca alla Fiorentina

Dia 25/12 é Natal, dia de curtir com a família, comer bem e trocar presentes. Não para um viajante solitário, sedento por uma bela carne e um Chianti Clássico. Me acompanhe nessa jornada que vai tratar de boa comida, bom vinho e uma pegadinha bem sacana.

O passeio por Florença é, até hoje, uma das memórias mais vivas em minha mente. Belas paisagens, monumentos, edifícios, praças. Muita andança (ainda com a dor no pé direito por conta da torção), muitas fotos, comida de rua (pizza, panini, focaccia) e um rombo no estômago.

Estava escurecendo – por volta das 17 horas – e resolvi almoçar/jantar antes de ir ao hostel. O restaurante escolhido foi Osteria All’Antico Mercato. Muito bem recomendado em vários sites e também por moradores. Já tinha o pedido em mente: Bistecca alla Fiorentina e de sobremesa Cantucci con Vino Santo (combinação de um biscoito típico da Toscana com um vinho de sobremesa).

Fiquei em dúvida entre o Chianti Clássico da casa e um da Ruffino. Resolvi atacar o da Ruffino por ter lido bastante sobre a vinícola antes da viagem.

Mas primeiro vou falar da Bistecca.

Já na entrada do restaurante me deparei com três belos pedaços da carne que é utilizada na casa. Isso dá a segurança de duas coisas: que a comida é fresca e não congelada; e que o restaurante preza pela qualidade, pois os cortes são muito bons. Pedi ela mal passada (tipo quase crua mesmo) como eu gosto, mas o ponto quem escolhe é o cliente. É servida com batatas levemente fritas com alecrim. Excelente! Mas achei pouco. Pedi a porção para uma pessoa e veio meio quilo de bisteca. Me arrependi e deveria ter pedido para duas pessoas e comido 1 quilo (sem exagero!), pois estava maravilhosa.

O vinho que pedi para acompanhar o prato também foi uma ótima escolha.

Chianti Clássico

ruffino aziano chianti classico 2010

Nome: Aziano
Produtor: Ruffino
Uva: Sangiovese, Merlot e Cabernet Sauvignon
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2013
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 13%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Cereja e morango
Frutas secas: Tâmaras
Adocicados: Geléia

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Pouco Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Sedoso
Adstringência: Pouco Tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Bom vinho, mas com retrogosto curto (2 seg.). Harmonizou muito bem com a carne e ganhou vida respirando.

Nota Final: 8,0

A harmonização foi nota 10. Recomendo. Escolha o ponto da carne e “caia dentro”.

Já na sobremesa eu caí numa pegadinha clássica.

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Tem um prato muito famoso na Toscana que é o Cantucci con Vino Santo (foto acima). A combinação é simples: você mergulha o biscoito no vinho e depois come. Mas lá, como cá, também existe o lado “tabajara” da coisa. Existem dois vinhos: o Vino Santo e o Il Santo. O primeiro em geral de ótima qualidade, já o segundo não. Basicamente a diferença entre eles é a adição de álcool e/ou açúcar (coisa proibida no primeiro e realizada no segundo). No próximo post vou discorrer sobre esses vinhos.

Mas de antemão digo: prefira o Vin Santo. Os italianos que entendem de vinho (e não são todos, como eles gostam de vociferar) desprezam o segundo. Chegam ao ponto de chamá-lo de falsificação barata ou utilizam adjetivos mais pesados, que prefiro não utilizar para manter um bom nível aqui no blog (rsrsrs).

Como disse, caí na pegadinha. Comprei gato por lebre. Gostei, a princípio, do “Vino Santo tabajara”, mas depois de beber o verdadeiro… compartilho parcialmente da opinião dos italianos.

Segue aqui a análise do vinho.

Il Santo

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Nome: Il Santo Della Croce – Badiolo
Produtor: Chianti Trambusti
Uva: Grillo, Inzolia e Cataratto
Tipo: Doce (sobremesa)
Safra: Não especificado
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 16%

EXAME VISUAL

Cor: Castanho claro
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas secas: Amêndoas tostadas
Adocicados: Compota de laranja e figo
Especiarias: Doces com canela e mel

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Fraco
Açúcar: Licoroso
Amargor: Médio
Acidez: Baixa
Textura: Redondo
Adstringência: Ausente
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Confesso que no início gostei muito do vinho (aquela primeira impressão, sabe?), mas ao analisar e preencher a ficha fui percebendo as inúmeras falhas. Era doce, bem sedoso e diferente de tudo que já tinha provado. Mas ao ser mais minucioso percebi que tem um fundo bem amargo, mesmo o retrogosto sendo bem curto (5seg.), que incomoda bastante. O álcool se esconde e acho que o peso/corpo é devido ao açúcar adicionado.

Nota Final: 7,8

Gostei do que provei, mas confesso que tinha ficado com “a pulga atrás da orelha”, pois o vinho não apresentou tudo aquilo que os livros diziam que esse tipo de vinho apresentava. Dias depois descobri o motivo. Se eu tivesse analisado esse depois de ter bebido o verdadeiro Vino Santo… sei lá!

Bem, posso dizer com certeza que a harmonização do Vino Santo com o Cantucci é perfeita (provei em outras oportunidades a combinação correta), embora muitos produtores fiquem irritados com essa combinação. De todos que visitei recebi a recomendação: “esse vinho não é daqueles ruins para se comer com biscoito”, mas descobri também que não se deve dar atenção a tudo que se fala. Prove o vinho com o biscoito ou sozinho, pois vale a pena.

E você já caiu numa pegadinha como essa? Ruim, não?! Mesmo assim recomendo o restaurante, pois a carne estava espetacular.

Provou a Bistecca? Já mergulhou o biscoito no vinho? Qual o veredito? Conte pra nós e continue nos acompanhando.

Bolonha: “La Dotta, La Grassa, La Rossa”

A segunda cidade por mim visitada é uma das mais conhecidas e reconhecidas pela gastronomia. A proximidade com Modena (terra dos famosos acetos D.O.P. e I.G.P.), terra do famoso molho ragu (ou bolonhesa para os brasileiros) e de outros muitos pratos famosos, terra dos vinhos Pignoletto DOCG e Barbera dell’Emilia DOC e de um gelato maravilhoso. Vou agora contar um pouco da minha andança de um dia pela “culta, gorda e vermelha” (tradução literal do título do post) Bolonha.

A cidade chama muito a atenção pela arquitetura. São mais de 40 km de pórticos (acreditem… em dias de chuva isso é fundamental!). Vista de cima é predominantemente vermelha (por isso “a vermelha”) e combina arquitetura medieval, moderna e contemporânea. Dona da mais antiga Universidade Ocidental, onde lecionaram nada menos que Dante, Boccaccio, Petrarca, dentre outros, por isso “a culta”. Terra de uma cultura gastronômica fantástica, por isso “a gorda”.

Mas a dificuldade que me acompanhou até o final da viagem começou aqui. Quando? Ao visitar as Torres de Bolonha, escorreguei num dos degraus, torci meu pé e fiquei muito prejudicado na locomoção. Esse era meu segundo dia de viagem. Tive “apenas” mais 17. Bem… apesar da dor, continuei correndo e conhecendo, na medida do possível, tudo que tinha me proposto.

Comecei com um dos gelatos mais premiados da Itália, o da Gianni, e realmente merece a fama que tem. De zero a 10, dou nota 11. Fantástico! Textura, sabor, cremosidade… nada, nada mesmo, parecido com qualquer outro que já tenha provado anteriormente. Recomendo muito. Fica aqui uma dica gastronômica.

Sobre vinhos, pouco a dizer. Por conta da lesão tomei um anti-inflamatório, utilizei pomada analgésica e anti-inflamatória e preferi evitar álcool nesse dia.

Claro que não resisti muito (rsrsrs). Naquela noite na estação de trem, antes de seguir viagem pra Florença, provei um e falarei dele a partir de agora.

Pinot Nero

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Nome: Pinot Nero Alto Adige DOC
Produtor: Kettmeir
Uva: Pinot Nero
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2014
Região: Caldaro
Teor Alcoólico: 13%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Cereja, morango e amora
Minerais: Pedra de isqueiro
Adocicados: Cereja em calda
Químicos: Gás de cozinha

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Magro
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Baixa
Textura: Áspero
Adstringência: Pouco tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Jovem

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto curto (5 seg.), deixando um final doce de cereja madura. Chamou atenção a mineralidade, mas mesmo assim o vinho deixou a desejar.

Nota Final: 7,8

E aí, gostou? Deixe suas impressões e opiniões sobre o vinho, o blog, Bolonha. Queremos saber tudo.

No próximo post vou falar sobre minha ida pra Florença. Trarei mais dicas gastronômicas e vou ensinar como fugir de uma furada. Até lá!

“GOLD HK ENOROUND” vale a pena? Parte 2

Pois bem… escrevi sobre os primeiros nove vinhos degustados, mas ainda faltou muita coisa boa pra se falar. Dentre elas responder se, na minha modesta opinião, vale ou não a pena pagar EUR 60,00 pelo “Gold HK Enoround”. Vamos continuar a jornada?!

O décimo foi o meu primeiro Barolo.

barolovietti

Nome: Barolo Castiglione
Produtor: Vietti
Uva: Nebbiolo
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2011
Região: Barolo
Teor Alcoólico: 14,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi com reflexos alaranjados
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Morango, cereja e cassis bem maduros
Adocicados: Baunilha
Empireumáticos: Caramelo

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Redondo
Adstringência: Muito tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Pronto, mas pode ficar mais tempo na garrafa que só tende a melhorar

Observações finais/Impressão geral: Espetacular! Meu primeiro Barolo e a sensação foi magnífica. Retrogosto persistente (1 minuto), com final de morango maduro. Aparecem com protuberância no aroma e paladar o caramelo e as frutas vermelhas, mas ressalto a presença do cassis e baunilha, que dão um toque especial ao vinho.

Nota Final: 9,2

O décimo primeiro foi mais um exemplar da Toscana, dessa vez um Merlot.

52383---Lamaione-Toscana-IGT

Nome: Tenuta di Castelgiocondo Lamaione
Produtor: Marchesi di Frescobaldi
Uva: Merlot
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2009
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 15%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Morango e cereja
Adocicados: Geléia

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Elevada
Textura: Áspero
Adstringência: Tânico
Taninos: Agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Sem muito a dizer. Retrogosto rápido (3 seg.) e nada complexo.

Nota Final: 7,3

O décimo segundo foi um Bolgheri.

25ornellaia

Nome: 25 (1985-2010)
Produtor: Ornellaia
Uva: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2010
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 14,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Morango, framboesa e cereja
Adocicados: Baunilha
Empireumáticos: Chocolate

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrado
Textura: Sedoso
Adstringência: Tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto médio (25 seg.), ressalta bem as frutas. Um corte muito interessante e bem complexo no paladar.

Nota Final: 8,2

O décimo terceiro foi outro Supertoscano.

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Nome: Luce
Produtor: Luce della Vite
Uva: Sangiovese e Merlot
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2012
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 13,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Amora e morangos maduros. Um toque de maçã pra abrilhantar.
Empireumáticos: Chocolate

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Redondo
Adstringência: Tânico
Taninos: Agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto médio (30 seg.), deixando um sabor intenso e interessante de maçã vermelha bem madura.

Nota Final: 8,0

O décimo quarto foi outro Bolgheri.

leserrenuove

Nome: Bolgheri Le Serre Nuove Dell’Ornellaia
Produtor: Ornellaia
Uva: Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2012
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 14,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi com reflexos alaranjados
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Cereja e morango
Adocicados: Geléia e Baunilha

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Baixa
Textura: Redondo
Adstringência: Pouco Tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Surpreendeu por ter Merlot e Cabernet Sauvignon e a adstringência ser baixa (poucos taninos). Retrogosto médio (20 seg.), trazendo frutas do bosque maduras.

Nota Final: 7,8

O décimo quinto mais um exemplar da Toscana.

52383---Lamaione-Toscana-IGT

Nome: Tenuta di Castelgiocondo Lamaione
Produtor: Marchesi de Frescobaldi
Uva: Merlot
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2010
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 15%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Laranja, maracujá e caqui maduros
Florais: Hortência
Especiarias: Anis
Empireumáticos: Café
Outros: Licor de cassis

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Redondo
Adstringência: Tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Muito bom. Retrogosto médio (30 seg.) de frutas vermelhas. O charme do vinho está no fato de aparecerem muitas frutas cítricas, que geralmente estão presentes nos brancos, misturado com anis e café. Essa miscelânea de aromas deu um “up” com certeza. A safra fez toda diferença para esse vinho, vide que o 11º não era bom, já esse…

Nota Final: 8,4

O décimo sexto foi um Syrah.

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Nome: Ammiraglia
Produtor: Marchesi de Frescobaldi
Uva: Syrah
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2011
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 14,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi com reflexos alaranjados
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Maçã, morango, framboesa e groselha
Frutas secas: Castanha do Pará
Florais: Rosa
Empireumáticos: Chocolate

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Redondo
Adstringência: Tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Bom vinho, com retrogosto médio (30 seg.) trazendo groselha bem forte.

Nota Final: 8,8

E pra fechar, o décimo sétimo, o último Supertoscano.

Frescobaldi-Giramonte-zoom

Nome: Giramonte
Produtor: Marchesi de Frescobaldi
Uva: Merlot e Sangiovese
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2009
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 14,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Morango, cereja e amora muito maduras
Frutas secas: Amêndoas
Adocicados: Geléia

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Redondo
Adstringência: Tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Maduro

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto médio (15 seg.), ressalta geléia. A idade fez bem para o corte e afinou taninos, equilibrou acidez e deixou o vinho fácil de beber.

Nota Final: 8,8

Feita a avaliação de todos os vinhos degustados, tendo mostrado tudo em detalhes pra vocês, analisando o local e a viagem como um todo não tenho dúvidas… vale a pena fazer o “Gold HK Enoround”.

Minha ressalva é que o Vêneto tem vinhos fantásticos e o bar não explora isso. Talvez por privilegiar um fornecedor (Marchesi de Frescobaldi), mesmo assim – como vou mostrar para vocês mais adiante – todas as regiões italianas privilegiam seus produtos típicos. Em Chianti quando degustei queijo foi o Pecorino e não o Parmesão. Justamente por ser o queijo típico da região.

Em suma… vale, mas se você não for visitar a Toscana ou Piemonte. Se quiser vinhos do Vêneto tem que procurar outro local. Vou fazer isso na próxima vez que visitar Veneza.

E você? Conhece algum local pra degustar vinhos do Vêneto? Onde? Conta pra gente!

“GOLD HK ENOROUND” vale a pena? Parte 1

Em meu último post falei sobre o HK Wine Bar e suas opções de degustação de vinhos. Agora é a hora de falar dos vinhos que degustei por lá. Foram 17 no total e vou falar um pouco sobre cada um deles, dividindo em dois posts para não ficar tão massante. Nesse primeiro tratarei até o nono vinho provado.

Vambora descobrir os sabores do Vêneto, Langhe e Toscana?

Como eu disse no post anterior, depois de um pequeno stress, embora a degustação fosse exclusivamente de vinhos tintos, me deram uma pequena cortesia e por isso…

Comecei com um Prosecco.

prosecco santome

Nome: Santomé
Produtor: Tenuta Santomé
Uva: Glera
Tipo: Prosecco Extra-Seco
Região: Treviso
Teor Alcoólico: 11%

EXAME VISUAL

Cor: Amarelo Palha
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Pérlage: Quantidade razoável, persistência média e diâmetro pequeno
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Maracujá e limão
Florais: Rosas brancas
Herbáceos: Sálvia

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Inexistente
Acidez: Baixa
Textura: Sedoso
Adstringência: Pouco tânico
Agulha: Agradável e fugaz
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto curto, lembrando limonada. Bem herbáceo e floral, não notei mineralidade. Um espumante bacana, preço bem acessível (EUR 7,00).

Nota Final: 8,5

O segundo foi um Pinot Nero.

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Nome: Castello di Pomino
Produtor: Marchesi de Frescobaldi
Uva: Pinot Nero
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2011
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 13,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi com reflexos alaranjados
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Ameixa, cereja (frutas vermelhas)
Adocicados: geleia de morango caseira sendo preparada

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Forte
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Baixa
Textura: Redondo
Adstringência: Tânico
Taninos: Finos e Agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Frutas extremamente maduras. Retrogosto curto, trazendo morango no final de boca.

Nota Final: 8,5

O terceiro foi um Dolcetto D’Alba.

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Nome: Dolcetto D’Alba Tre Vigne
Produtor: Vietti
Uva: Dolcetto D’Alba
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2013
Região: Piemonte
Teor Alcoólico: 13%

EXAME VISUAL

Cor: Violáceo
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Frutas não muito maduras (antes de estarem ao ponto), maçã e morango.
Adocicados: Marmelada

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Forte
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Elevada
Textura: Áspero
Adstringência: Muito Tânico
Taninos: Grosseiros
Maturidade: Jovem

Observações finais/Impressão geral: Ressalta muito o álcool. No aroma as frutas não sobressaem. Falta alguma coisa (talvez amadurecer e afinar taninos  e acidez). Retrogosto curto que lembra morango verde.

Nota Final: 7,0

O quarto foi um Barbera D’Alba.

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Nome: Barbera D’Alba Tre Vigne
Produtor: Vietti
Uva: Barbera
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2013
Região: Piemonte
Teor Alcoólico: 13%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Morango e cereja bem maduros
Adocicados: Geleia e cereja em calda

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Pouco Áspero
Adstringência: Tânico
Taninos: Agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Vinho muito bacana. Impressiona desde o primeiro gole. Retrogosto primitivo e prolongado (30 seg.), trazendo um fundo de geleia.

Nota Final: 8,7

O quinto foi um Supertoscano.

Frescobaldi-Montesodi-Chianti-Rufina-Riserva-zoom

Nome: Montesodi del Castello di Nipozzano
Produtor: Marchesi de Frescobaldi
Uva: Merlot e Sangiovese
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2012
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 14,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi com reflexos alaranjados
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Cereja, morango, groselha e jabuticaba
Frutas secas: ameixa preta
Florais: Rosa
Outros: Azeitona

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Untuoso
Adstringência: Adequado
Taninos: Finos
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto bem floral, de persistência média (20 seg.) Não entrega na boca tudo que promete no olfato.

Nota Final: 8,5

O sexto foi outro Supertoscano.

lavitelucente

Nome: La Vite Lucente
Produtor: Tenuta Luce Della Vite
Uva: Cabernet Sauvignon, Merlot e Sangiovese
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2013
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 14%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Pitanga, graviola, suco de maçã/suco de pera
Outros: Iogurte

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Levemente elevada
Textura: Redondo
Adstringência: Muito tânico
Taninos: Agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Pitanga apareceu na primeira cheirada, logo veio fruta do conde/graviola. Pouco depois apareceram os sucos de maçã e pera. Retrogosto traz o suco de maçã de maneira impressionante. Retrogosto duradouro (40 seg.). Entrega tudo que promete.

Nota Final: 8,9

O sétimo foi um Nebbiolo.

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Nome: Nebbiolo Perbacco
Produtor: Vietti
Uva: Nebbiolo
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2012
Região: Barolo
Teor Alcoólico: 14%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi com reflexos alaranjados
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Maçã e pera

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Baixa
Textura: Redondo
Adstringência: Tânico
Taninos: Finos
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto médio (20 seg.) trazendo suco de maçã. Decepcionou um pouco, pois é feito com a mesma uva do Barolo, mas por ser mais simples perde toda complexidade. No fundo eu esperava um pouco mais desse vinho, mas assim mesmo é de excelente qualidade.

Nota Final: 8,5

O oitavo foi um Raboso.

raboso-raboso

Nome: Raboso Parcel #912
Produtor: Tenuta Santomé
Uva: Raboso Piave
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2008
Região: Vêneto
Teor Alcoólico: 15%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi com reflexos alaranjados
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Melancia, ameixa e cassis
Frutas secas: Castanhas
Herbáceos: Funcho
Especiarias: Pimentão
Animal: Couro
Empireumáticos: Café/cacau torrado
Adocicados: Baunilha

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Forte
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Pouco elevada
Textura: Redondo
Adstringência: Muito Tânico
Taninos: Agradáveis
Maturidade: Maduro

Observações finais/Impressão geral: Retrogosto médio (20 seg.) que ressalta baunilha. Acidez pouco elevada, mas não prejudica a experiência com o vinho.

Nota Final: 8,3

O nono foi mais um tinto da Toscana.

mormoreto_2011_bottiglia_200_728Nome: Mormoreto
Produtor: Marchesi de Frescobaldi
Uva: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot
Tipo: Tinto Seco
Safra: 2011
Região: Toscana
Teor Alcoólico: 14,5%

EXAME VISUAL

Cor: Rubi
Limpidez: Alta
Transparência: Alta
Brilho: Intenso

EXAME OLFATIVO

Frutas frescas: Morango, ameixa e cereja bem maduras
Frutas secas: ameixa preta
Adocicados: Baunilha e doce de leite cremoso
Empireumáticos: Café e caramelo

EXAME GUSTATIVO

Corpo: Encorpado
Álcool: Equilibrado
Açúcar: Seco
Amargor: Ausente
Acidez: Equilibrada
Textura: Sedoso
Adstringência: Muito tânico
Taninos: Muito agradáveis
Maturidade: Pronto

Observações finais/Impressão geral: Entra na boca parecendo doce de leite/caramelo. Ressalta um pouco do adocicado da uva. Retrogosto médio (20 seg.) deixando um fundo de bala de caramelo (toffee).

Nota Final: 8,7

Esses foram os primeiros vinhos degustados. Na sequência trago os outros. E você já provou algum desses? Conhece as uvas, vinícolas ou tem alguma novidade pra nos contar? Deixe seu recado.

 

Degustando vinhos em Veneza

Muito pensei na forma de organizar os posts sobre minha andança pela Itália e resolvi que a melhor forma é fazer em ordem cronológica mesmo. Começar escrevendo pelo primeiro lugar visitado e acabar falando sobre o último. Simples assim. Acho que assim fica mais fácil fazê-los sentir um pouco do cheiro e gosto da Itália que eu pude provar. Partiu?!

A viagem começou em Veneza e terminou em Milão. Passei por: Bolonha, Florença, Pisa e Lucca, Greve in Chianti, Siena, Montalcino, Montepulciano, Gênova, Turim e Barolo. Bebendo vinho, comendo bem (de vez em quando, pois a grana é curta) e passeando sempre. Acordei de madrugada, carreguei malas pesadas e cheias de vinho, torci o pé em Bolonha e me incomodei a viagem toda com a dor (cancelei visitas em vinícolas por conta disso), avistei paisagens exuberantes, provei muita comida nova e, por fim, ganhei muito conhecimento sobre vinho em geral. Valeu muito a pena e vou repassar o possível aqui para vocês.

Começando…

A minha visita a Veneza foi marcada por muitas peculiaridades. Primeiro a névoa que encobriu a cidade e não me deixou desfrutar muito da arquitetura local. Segundo a garoa que atrapalhou um pouco os passeios. E terceiro o tempo escasso que fiquei lá (2 dias).

Embora o tempo fosse curto, pude conhecer um lugar bacana pela proposta, mas que pecou (e muito) pelo atendimento. Estou falando do HK Wine Bar.

Pesquisei e em Veneza existem apenas dois bares que fazem degustação de vinhos. Escolhi esse aqui e no início me arrependi, mas depois os problemas foram superados.

Fiz a reserva pelo site com a Sabrina e deixei tudo acertado para iniciar a degustação dia 23/12 às 12 horas. Fui até o bar e a atendente exigiu um voucher. Em momento algum da conversa com a Sabrina ela falou em voucher, apenas disse que a reserva estava feita e que bastava me apresentar no balcão do bar. A atendente sequer disponibilizou a senha do wi-fi para eu mostrar o e-mail.

Tive que sair do bar, buscar um wi-fi, abrir o e-mail e mostrar na recepção do Hotel All’Angelo (o bar fica anexo ao hotel). A gerente do hotel ligou para a Sabrina, recebeu a confirmação e só então liberaram a minha degustação (?????). #ficaadica leve o e-mail impresso.

Enfim… problema resolvido. Vamos degustar!

image1
No HK Wine Bar estreando as fichas de degustação personalizadas do nosso blog

A minha escolha de degustação foi essa abaixo:

“Tasting “GOLD HK ENOROUND”  € 60,00 per person

16 different doc wines by the Enoround wine List – Azienda Marchesi de Frescobaldi chosen with a personal HK Wine Card (value 60 Euro)
and
Assorted Appetizer Venetian Style:

Canapes with Purèe of Dried Cod – Canapés with Apulian Dried Tomatoes and Achovie –  Quiche with Vegetables – Meatballs Venetian Style  –  Rice Croquettes – Parmesan Cheese – Home-made bread with “Sopressa Trevisana”  – Boiled Salama with Polenta”

Eles têm opções diferentes e mais em conta:

“Tasting “RED HK” 25,00 per person
1 Prosecco: Prosecco Bollicine Rosè VSQ Serafini e Vidotto -Veneto
2 Red wine : Lucente 2008 Marchesi de Frescobaldi – Toscana
Raboso – Tenuta Santomè – Veneto
1 White wine : Friulano del Collio (tocai ) Az. Doro Princic – Masut – Friuli
Assorted appetizer Venetian Style:
Canapes with Purèe of Dried Cod – Quiche with Vegetables – Meatballs venetian style – Parmesan Cheese – Home-made bread with “Sopressa Trevisana”
Tasting “SILVER HK” 40,00 per person

1
Prosecco: Prosecco Spumante Extradry Valdobiadene docg Biancavigna -Veneto
2 Red wine : Lucente 2008 docg Marchesi de Frescobaldi – Toscana
Refosco dal Peduncolo Rosso Az. Agricola Guerra – Friuli
1 White wine : Manna Bianco doc Franz Haas – Trentino
1 Dessert wine : Moscato D’Asti Surgal doc – Az. Agricola Perrone – Piemonte

A
ssorted Appetizer Venetian Style :
Canapes with Purèe of Dried Cod –Quiche with Vegetables – Meatballs Venetian Style
Parmesan Cheese – Canapés with Apulian Dried Tomatoes and Achovie
Home-made bread with “Sopressa Trevisana”
Home made assorted Venetian Biscuits”.

Então vamos falar do lugar. Pequeno, acolhedor, simpático, moderno, aconchegante, bem decorado e, para degustação ou consumo, utilizam o sistema Enomatic (uma máquina que funciona com um cartão com créditos para consumir os vinhos que ela armazena. O bacana é que ela injeta gás carbônico na garrafa e impede a entrada de oxigênio, garantindo que o vinho seja conservado intacto por muito mais tempo. Acesse o link e descubra um pouco mais sobre essa maravilha do mundo moderno.)

A comida é excelente. Comi coisas maravilhosas, combinações fantásticas. O local só peca por não harmonizar comida e vinho. Servem todos os aperitivos de uma só vez. Poderiam fazer ao menos uma seleção deles para cada conjunto de três vinhos.

Vá no feeling que funciona. Ao menos comigo funcionou.

Quanto aos vinhos… pelo estresse inicial ganhei uma taça de cortesia (ponto positivo). Iniciei com um Prosecco e finalizei com um corte 88% Merlot e 12% Sangiovese. A sequência é definida por eles e a atendente seguiu a mesma ordem das garrafas disponíveis na Enomatic e disse que elas tinham sido colocadas assim pensando nessa degustação. Os vinhos eram servidos em conjuntos de três em três, tentando combina-los por características semelhantes. Fiz anotações de todos e o lugar ficará marcado em minha memória para sempre. Foi ali que provei meu primeiro Barolo.

Eles disponibilizam um livro com todos os vinhos servidos no local. Claro que alguns estão com as safras desatualizadas, mas vale a pena a consulta. Se não te oferecerem o livro pode pedir que eles trazem sem problemas.

Foram 17 vinhos ao todo. Levei 3 horas para degustar e tenho muita coisa boa pra contar sobre os vinhos. O ponta-pé inicial foi bacana. No próximo post falarei sobre os vinhos que degustei e sobre a meta que me impus.

E aí… vai pra Veneza? Conhece outro lugar bacana, com bons vinhos e boa comida por lá? Compartilhe com a gente.

Modelo de Ficha de Degustação

Já tem quase duas semanas, desde que saí da velha bota e pisei em solos tupiniquins novamente, e nada de escrever sobre a minha aventura enogastronomica. Quando planejei a viagem estabeleci uma metas, sem muitas pretensões, mas missão dada é missão cumprida. Agora preciso organizar bem as ideias, decidir a melhor forma de falar sobre cada região, sobre cada vinícola, sobre cada vinho, sobre as pessoas, os aromas, os sabores e as texturas da Toscana e Piemonte, sem esquecer de falar do Vêneto e Ligúria.

Pois bem, dentre as minhas peripécias pela Itália estava a degustação de vinhos. Especialmente os Barolos e os Brunellos. Queria uma maneira de poder comparar de forma mais analítica (nada profissional ou  sisuda) os vinhos degustados. Mais como? Através de uma ficha de degustação dirigida. Fui atrás!

Muita leitura, muita busca, muitas ideias e pouca efetividade. Nada contra às fichas disponíveis na internet, algumas são muito mais completas. Mas a maioria tira aquilo que o vinho pode nos trazer de melhor… o prazer em bebê-lo. As pessoas se preocupam demasiadamente com alguns aspectos e esquecem que aquilo na taça é SÓ VINHO.

Uma das coisas mais importantes que aprendi sobre essa bebida fantástica é: assim como a taça está ali para servir o vinho, o vinho está para nos servir. É uma bebida complexa, mística, mas é apenas uma bebida. Devemos beber o vinho tão descontraídos quanto ao beber uma cerveja no bar com os amigos. Chega de austeridade, de falsa erudição.

Bem… sem mais delongas resolvi criar, com base em tudo que vi, a minha própria ficha, que está disponível para download aqui.

A ficha é dividida em quatro partes e utilizo a seguinte metodologia (em %) para atribuir notas aos vinhos (você pode criar a sua):

Descrição do vinho e data da degustação

Sem título 4

Análise visual: 25%

Sem título 1

Análise olfativa: 35%

Sem título 2

Análise gustativa: 40% (considerando aqui um percentual para o retrogosto – 5%)

Sem título 3

Na análise visual fiz a divisão entre “cores”: tintos, brancos e rosés (espumantes, embora sejam outro tipo de vinho, possuem a mesma coloração); e depois as características que falam muito sobre a qualidade, tipo ou particularidade de cada vinho – limpidez, transparência, brilho e pérlage.

Dá para notar um espaço em branco, logo abaixo das anotações sobre o brilho. E as pessoas podem pensar: “que mal utilizado o espaço!”. Não, my friend. Foi proposital. Sabe aquela velha história de colocar  a taça sobre um fundo branco? Então… esse é o fundo. Aqui você distingue as características de cada cor, vê do fundo às bordas e consegue distinguir os reflexos. Além de poder constatar a transparência ao ler o texto ou ver as linhas através do vinho.

Na análise olfativa tentei buscar os principais grupos aromáticos. Como não são todos resolvi colocar o grupo um genérico. Sinta-se em casa. Se não sabe a que grupo aquele aroma pertence, bota no outros que dá tudo certo no final.

Na análise gustativa coloquei o principal a se sentir num vinho quando dentro da boca. Sem muita enrolação.

E no final as observações pontuais. Aqui é o lugar da poesia. De fazer de uma taça de vinho uma canção, ou, como eu, apenas colocar aquilo que mais te impressionou e falar sobre o retrogosto (curto, longo, deixando um final de…).

Depois disso tudo… dá-se a nota. Note que a nota aqui não significa se você gostou ou não do vinho. Vai além. É entender se o vinho é bom e bem feito ou não. E não se ele te agrada ou não. Essa ficha é para analisar mais tecnicamente, mas dizer se você gostou ou não do vinho é fundamental como referência pessoal na hora de comprar outro vinho.

Por exemplo, um vinho muito tânico é um vinho ruim? Não! Então um vinho pouco tânico é ruim? Não também. As características das uvas devem ser respeitadas. Agora taninos grosseiros podem significar várias coisas, dentre elas a baixa qualidade. Assim é com a acidez. Brunellos jovens são bem ácidos, mas são Brunellos. A uva Sangiovese tem essa característica e o vinho vai afinando, amadurecendo, arredondando com o passar do tempo.

Vou dar um exemplo bem claro e fácil de entender.

Compare dois vinhos da mesma uva, safra e região, e dê uma nota aleatória baseada no seu paladar e seu conhecimento. Depois utilize os mesmos vinhos num teste com a ficha e veja se a diferença é muito grande. Você pode se surpreender com o resultado e mudar a velha frase: “esse vinho é ruim” para “esse vinho não me agradou”. Note que são coisas muito diferentes.

Todos sabemos, ou ao menos imaginamos, que se um vinho é mais equilibrado que outro ele é melhor. Isso é verdade. A ficha é bacana exatamente para isso… não comparar apenas um com outro como se fosse uma briga entre dois vinhos. Não! A ideia é levar em conta toda sua experiência no mundo do vinho. Comparar com aquelas referências de bons vinhos que você tem.

Experimente, tente, faça uma metodologia diferente (clichê!) e depois conte para a gente.

 

Diversão e Arte, ó Pá!

Portugal, em vários sentidos, invadiu o Brasil. (ih…ficou polêmico!)

Estou falando do nosso munto vitivinícola! Portugal encontrou no Brasil um tremendo mercado consumidor. Diversos rótulos, diversos produtores, de todas as regiões portuguesas invadiram nossas adegas e têm feito a alegria do cada vez mais voraz apreciador brasileiro.

O vinho de hoje é um ilustre “blockbuster” europeu – já explico o porquê.  Por indicação de uma adega bem legal do Mercado Municipal de Curitiba, comprei há umas semanas (se não me engano por R$  39,90) e somente há uns poucos dias resolvemos nos divertir. A indicação foi: “esse vinho foi indicado num programa culinário europeu e bombou de venda no mesmo dia! Travou o site do distribuidor e tudo!”

Pois bem, essa é a verdade: a Master of Wine, Susie Barrie indicou ele dizendo que harmonizaria brilhantemente com o prato de cordeiro que estava sendo apresentado pelo Chef James Martin do BBC’s Saturday Kitchen. O Chef ainda reforçou dizendo que era um dos melhores tintos que ele conheceu nesses 10 anos de programa.

O que aconteceu? Lógico que travou o site, vendeu horrores e tudo mais que a euforia de consumo pode fazer quando, para ajudar, o vinho é bem acessível no quesito preço. (Viu!? Blockbuster!)

Como eu só sabia que ele foi muito vendido e não tinha visto mais explicações (claro que para o post dei uma pesquisadinha), o vinho foi uma descoberta. A começar pelo rótulo super descontraído que já te deixa alegre só de ver! Uma ilustração super bacana de uma cena diária em Lisboa, com o número 6 na porta em uma casa de esquina, indicando a entrada e “do que estamos falando”. Tudo nesse vinho respira diversão e arte! Até na cápsula do gargalo tem um gatinho trovador te indicando que o que sai dessa garrafa é canção. E é mesmo!!!

Porta6.jpg

  • Produtor: Vidigal Wines;
  • Uvas: Corte de Tinta Roriz, Castelão e Touriga Nacional;
  • Teor Alcoólico: 13,5%;
  • Coloração: rubi com bastante brilho;
  • Exame olfativo: frutas vermelhas, com um mirtilo aparecendo junto e um toque de toffee (caramelo) que deu um dulçor mais alegre ainda;
  • Gustativo: as frutas apareceram com graça, vermelhas e negras, bem silvestres com aquele toffee ali para me divertir;
  • Acidez: equilibrada, com uma boa percepção do álcool presente, sem deixar pesado; corpo médio;
  • Taninos: finos, harmonizados com a acidez e o álcool, revelando um conjunto bem equilibrado num vinho relativamente leve e muito saboroso de se degustar.
  • Retrogosto: curto, uns 5 segundos ou mais.

Quer saber? Se você estiver com dúvida do que levar para um amigo, para gente divertida, para uma festa bacana entre amigos, para momentos de relaxamento, para “molhar a palavra” em conversas estimulantes: esse é o cara! Certeza que vou ter uns quantos para outros momentos. Agora, se você está esperando uma complexidade, um vinho intrigante, com muito aroma terciário e seus mistérios, ele vai para outro lado. Esse é um vinho para se degustar sorrindo, com uns antepastos gostosos, uma bruschetta, uns pães com pastinhas de queijo e gente boa em volta, porque a conversa vai longe!!!